Um pouco de Mano de Carvalho

Pagamos no nosso 2º semestre a cadeira “Fotojornalismo” (definitivamente a que tirei mais proveito neste semestre), tendo como monitor Felipe Gesteira, fotógrafo do Jornal da Paraíba.

Gesteira nos passou diversas pautas e saídas fotográficas com certos temas, e disse que uma das pautas seria a mais importante do semestre, que era a seguinte: Escolher um repórter fotográfico (fotojornalista), marcar um horário com ele, e fazer uma entrevista. Simples assim. Bem… simples assim?

Vamos começar pelos empecilhos:

Chegamos lá no ponto combinado com Mano de Carvalho, nosso fotojornalista escolhido. Era uma oficina de carro, onde ele tinha acabado de deixar o dele.

Depois de falar com o mecânico, ele veio até nós (eu, Caio e Luis), sentou no chão da calçada, e disse com um sorriso na cara: “E aí, o que vocês querem de mim?”. Ficamos olhando uns para os outros… A gente precisava tirar fotos da entrevista, e, bem, uma calçada na oficina não era o lugar mais apropriado. Educadamente, Caio perguntou ao descontraído Mano se não teria alguma sala que pudéssemos usar para a entrevista, já que precisaríamos tirar fotos. Ele disse que não tinha problema, que tinha sim uma sala.

Pois bem. Entramos na sala (que não era lá um escritório, mas quebrou muito nosso galho), e começamos a entrevista. Tudo estava ainda muito bem, até que com dez minutos da entrevista que viria a ter mais de uma hora e meia, acaba a memória nosso gravador (celular de Luis). Tivemos que ir de old school, e usar o “bloquinho de notas”. Parei de tirar fotos, e fui ajudar Luis a anotar as respostas.

Tivemos uma entrevista excelente, nos divertimos bastante com Mano. Nos despedimos, Luis pegou um ônibus, e eu e Caio ficamos esperando a carona.

Eis que eu chego em casa. E meu caderno, cadê?

Esqueci na oficina.

Moro em Intermares, a oficina fica em Jaguaribe. Pra quem não sabe o que é isso, são quase 30 minutos de viagem. A entrevista aconteceu numa quinta-feira, e na sexta pela manhã eu estava viajando pra São Paulo, e voltava só na terça-feira.

Me conformei que não veria mais meu caderno. Até que em um belo dia ensolarado, nosso entrevistado me liga e diz que tem meu caderno em mãos, e que deixaria na minha casa. Tínhamos que entregar o trabalho nesta semana, o timing foi ótimo.

O resultado da nossa entrevista não poderia ter sido melhor. Tiramos  10 e tivemos uma das melhores experiências no curso até agora (e estes jovens padawans muuuuitas lições aprenderam).

Confira a entrevista:

Mano de Carvalho (43) é fotógrafo profissional desde os 25 anos, e trabalha como fotojornalista há cinco. Músico desde 1984, morou parte da adolescência no Rio de Janeiro junto com a banda de rock que toca até hoje. Percebeu que ser músico não dava rendimento, e, por ser apaixonado por fotografia, decidiu tentar uma chance no ramo. Seus pais sempre o incentivaram a seguir a carreira de fotógrafo. Junto a Ricardo Peixoto e Marco Veloso, fundou em João Pessoa a Agência Ensaio de fotografia que, segundo ele, mudou o cenário fotográfico da Paraíba, tendo repercussões internacionais. Já fotografou para diversas campanhas, revistas, jornais e eventos. Atualmente trabalha no jornal Correio da Paraíba.

Bastante gesticulador e descontraído, Mano não deu nada menos do que uma entrevista com tais características. Contou um pouco sobre sua vida como fotógrafo e fotojornalista, além de dar dicas a todos que pretendem seguir esta carreira.

 

 

Fotografia sempre foi algo que você quis fazer? De onde surgiu seu interesse em trabalhos no ramo da fotografia?

 

Eu sempre quis fazer fotos, desde pequeno. Meu pai gostava muito de fotografar, e ele tinha um tipo de fotografia interessante, que era “auto-retrato”. Ele quando solteiro, lá no Rio de Janeiro, comprou uma camerazinha que eu tenho até hoje, que é uma câmera de pólo. Ele fotografava muito, adorava fotografia, fotografia em preto e branco. E eu sempre admirava muito o que ele fazia.

Morei um tempo no Rio de Janeiro, junto com a banda de rock que participo. Percebi que não estava dando rendimento pra mim, e em 1992 voltamos para João Pessoa. Minha mãe disse: “Você vai ser fotógrafo”. E o que mãe fala, se escreve. É palavra divina. Passei a me dedicar mais à fotografia, e deixei a música como hobby.

Como você começou a fotografar?

Depois do conselho da minha mãe, peguei emprestada a câmera do meu cunhado, que é dentista – e todo dentista estuda um pouco de fotografia, porque ele precisa fotografar o antes e o depois [do tratamento dentário]. Mas ele não usava muito a câmera; fez uns trabalhos, mas não usava. Aí, eu fui fazer o meu primeiro curso de fotografia, que foi com Guilherme Stuckert , um tio do dentista. Ele estava vindo de Brasília, trabalhava lá em um hospital, fazendo fotografias científicas. Então eu fiz o curso com ele, não de fotografias científicas, mas de leitura da imagem: ver imagem para aprender a fotografar, para fazer imagem. Você sempre vê imagem, seja aonde for, onde você tiver que fazer uma fotografia. Você tem que saber aqui que ângulo? Que câmera? Qual a finalidade? Como eu era muito cuidadoso, comecei a fotografar publicidade.

 

O que ou quem mais te influenciou a seguir a carreira de fotografia?

Além do meu pai, que era fotógrafo, tive também como grande influenciador e professor, Guilherme Stuckert. Os Stuckert têm uma história muito antiga na fotografia aqui em João Pessoa, desde que a cidade surgiu, praticamente. Estão nesses livros de estudo. A família está toda nesse ramo de fotografia.

Fiz cursos de fotografia com ele. Me identifiquei de logo de cara. Foi a partir destes cursos que aprendi muitas das coisas que faço até hoje.

O falecido Marcos Veloso, que foi um dos fundadores da Agência Ensaio, foi também uma espécie de guru pra mim. Devo muito a ele.

 

Você participou de cursos de tratamento de imagens? Revela suas próprias fotos?

Depois de fazer aquele curso com Stuckert, participei de um curso de preto e branco. Um mês depois, e eu já estava com o meu laboratório em preto e branco montado. Um grande amigo do meu pai, que trabalhava com ele, tinha um ampliador preto e branco em casa parado. Pedi para ele, ele me deu.

Tinha um quartinho lá em casa, eu peguei um plástico preto de meu pai, grampeei todo, fechei o quarto todo. Coloquei um ventiladorzinho, e comecei a revelar. Aprendi a revelar. Mas eu costumo dizer que eu aprendi tudo errado.

Porquê você aprendeu só?

Na verdade, não. Eu aprendi com outro fotógrafo, que sempre gostou muito de laboratório, sempre pesquisou muito. Mas ele não conhecia a revelação muito a fundo. Mas eu me dediquei à pesquisa, ao estudo. Eu trouxe fotógrafos de fora, especialistas. A gente fazia mesa redonda, e estudava com eles. Aí sim eu aprendi a revelar, e aprendi mesmo. Até hoje não esqueço mais como revela preto e branco. Eu tenho uma das melhores técnicas que é usada em muitos lugares.

É algum segredo, ou você pode compartihar com a gente?

(Risos) O único segredo é que você precisa ter muito cuidado com tudo. Com temperatura, com movimento. Laboratório é uma coisa precisa. Tempo, temperatura e agitação, essas são as três coisas, que se você não fizer direito, não vai sair padronizado.

Quais áreas da fotografia você já trabalhou?

 

Comecei como publicitário, mas eles [donos das agências publicitárias] querem muito trabalho por pouco dinheiro. Não valia mais a pena, e fui, com a ajuda de Marcos Veloso, para o lado artístico da fotografia. E há cinco anos, sou fotojornalista, mas ainda faço fotos artísticas ou publicitárias.

 

Fale-nos um pouco sobre como foi fundar e trabalhar em uma agência de fotografia (Agência Ensaio).

Tudo começou quando eu conheci Ricardo Peixoto no ônibus. Ricardo, ao contrário de mim, que na época tirava fotos publicitárias, fazia fotografias artísticas. Depois “conversas de ônibus”, descobrimos nosso interesse em comum por fotografia, e ficamos amigos. Em 1995, junto com um também amigo nosso, Marcos Veloso, fomos para o interior da Paraíba tirar fotos. Com o dinheiro arrecadado na viagem, nós fundamos a Agência Ensaio.

A Agência Ensaio foi um sucesso. Pessoas de fora, tanto de outros estados, quanto de outros países, vinham para o nordeste conhece-lá. Oferecíamos diversos cursos, oficinas e expedições fotográficas. Ensinei e aprendi muito nos anos que estive lá, mas infelizmente, percebi que eu estava gastando muito com a agência, e que não estava recebendo mais tanto retorno financeiro. Agora quem a coordena é Ricardo Peixoto.

 

Como é o mercado para fotojornalistas em João Pessoa?

 

O mercado tem pouquíssimos profissionais, e os jornais sentem falta disso.

Existe alguma editoria que você tenha preferência em fazer fotos?

 

Gosto muito de Millenium. Caderno de Cultura também gosto, mas não se faz foto; a foto chega lá. Você faz o evento, manda o release e eles fazem o resto. Os próprios leitores acabam enviando as fotos para esta editoria, porque eles fotografam nesses lugares e eventos.

Não gosto de Policial. Sou casado, tenho filhos. Uma vez tive que fotografar uma mulher, e ao lado dela, estava seu marido morto, assassinado por tiros. Foi uma experiência muito forte, e desde então, não trabalho mais nessa área. Você tem que ter muito sangue-frio.

 

Fale um pouco sobre os trabalhos que você desenvolveu ao longo de sua carreira.

 

Além da Agência Ensaio, trabalhei por pouco mais de um ano no Jornal da Paraíba, e atualmente trabalho como Subgerente de Tecnologia da Informação do Governo do Estado, e para o Correio da Paraíba, que estou com licença.

Fiz e faço fotos para diversas revistas, como a Revista Nordeste, Artestudio e Instituto Ayrton Senna. Fui professor do SENAC, mas acabei saindo por que não gostavam do jeito que eu fazia as coisas, fazia coisas diferentes, saí do tradicional. Dou também aulas em domicílio.

Há diferença entre trabalhos para jornais e para revistas?

 

A diferença é muito grande. Jornal é muito básico; os editores daqui não se importam muito com a foto. Elogios são raros. Já para revista é mais trabalhoso, detalhado. Revista é outra história, você pode montar mais a cena, pois há muito apelo visual. As fotos são mais nítidas, e há mais tempo para cumprir uma pauta. Digo isso de revistas semanais ou mensais. Jornal é tudo mais rápido.

Às vezes repórteres e principalmente fotojornalistas, passam por situações de risco. Você já se viu em alguma destas situações? Qual você acredita ser a melhor maneira de lidar com estas?

 

Inúmeras vezes. Ser fotojornalista é estar sujeito diariamente a situações de risco. A câmera fotográfica é uma arma que atira para dentro. Uma vez, flagrei um grupo de policiais fazendo algo errado, eles me viram fotografando, me jogaram no camburão. Entre gritos e ameaças, pegaram meu equipamento, estragaram o filme da câmera, e jogaram minha melhor lente no chão. Perdi trabalhos importantíssimos.

Já existem equipamentos para evitar esse tipo de situação, próprios para tirar fotos de longe. Seja discreto. A melhor maneira de lidar com esse tipo de situação, caso aconteça, é “não toque em mim”, “não toque no meu equipamento”. A melhor defesa é conhecer seus direitos.

Qual você acredita ser o motivo de as pessoas temerem tanto uma câmera fotográfica?

A imagem denuncia. As pessoas têm medo, não gostam de tirar fotos. Hoje se usam câmeras nas cidades para monitorar as pessoas. E por mais que você não esteja fazendo nada de errado, a câmera faz você pensar duas vezes se está realmente, ou não. As pessoas temem, e com razão, o que se pode fazer com a imagem delas.

Você trabalhou este ano na campanha política de um governador, mais especificamente, Zé Maranhão. Trabalhar em campanhas políticas pode influenciar a relação de um fotojornalista com o jornal em que trabalha?

Do fotógrafo, acredito que não. Ele apenas não deve se vender e sempre agir profissionalmente. Já trabalhei anteriormente para as campanhas de Avenzuá, de Zé Maranhão tanto quando governador, como quando candidato, e nunca tive problemas de nenhum tipo.

 

Como o fotógrafo deve reagir ao receber uma pauta?

Cumpra a pauta. Não deixe jamais o repórter ficar lhe apressando. Sempre faça a melhor foto possível, e tenha sempre em mente que aquela foto tem que ser capa de jornal. Tenha feeling. Fique sempre atento a tudo: não se pode perder o momento. Quanto mais coisa você fotografar, melhor para o jornal.

 

Quais suas recomendações para quem está começando agora?

A gente precisa ver fotografia para aprender fotografia. Isso é muito mais do quê você ficar estudando livros. O interessante também é você saber usar a câmera que você tem. Cada câmera faz a mesma coisa, mas pode ser usada diferente. Por exemplo, o lugar que você tem o diafragma em uma câmera, é diferente do outro. O lugar onde você faz a leitura do fotômetro em uma, é diferente do outro. Então, você precisa pegar sua câmera e ler o manual, porque lendo o manual, você aprende bastante a câmera.

Vou dizer o que minha chefe Lena Guimarães, disse: “Mano, vá lá. Você tem feeling¹”. Confie sempre nos seus instintos, ande sempre com a câmera fotográfica; só se aprende fazendo. Se preocupe sempre com a imagem.

Não tenha vergonha; vá e faça. Só entregue seu trabalho quando você se sentir seguro de que fez “a” foto. Sempre aceite críticas.

A loucura é necessária. Se jogue no chão sem se preocupar com a roupa; sujar mesmo! Sempre ouse. Faça o simples, mas ouse!

 

Pedimos ao fotógrafo algumas de suas fotos preferidas, e, junto com elas, alguns comentários. O que Mano nos disse, foi o seguinte: “Não vou falar de cada uma delas e sim de todas. Isto é fotojornalismo que quase não é usado por falta de ousadia da maioria dos editores. Sintam a imagem e falem dela”.

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L.A. Noire

Depois de muito disse-me-disse e vai-não-vai, em março deste ano foi finalmente confirmada a estreia de L.A. Noire, mais novo jogo da RockStar Games (Grand Theft Auto, Red Dead Redemption). O game que tinha previsão de estreia para 2008 apenas para PS3, passou por algumas mudanças de planos, e finalmente será lançado, também para XBox 360 (ufa!), em 2011. Não sou atrasada em notícias, vim falar apenas agora do jogo pelo fato de que neste mês apareceram alguns  “sneak peaks”. Neste último dia 6, novos screenshots foram liberados. E agora é certeza: com o estilo visual sombrio e gráficos impecáveis, L.A. Noire promete não nos decepcionar.

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O thriller policial se passa em Los Angeles em um de seus anos mais violentos, 1947 (o título faz jus ao jogo, que possui o estilo noir da década de 40). O jogador vive na pele do detetive Cole Phelps, que investiga assassinatos e tenta desvendá-los. Muitos dos casos a serem estudados no jogo são baseados ou modelados em casos factuais, tirados de arquivos de jornais de Los Angeles dos anos 40. Diferentemente de outros jogos da RockStar Games, L.A. Noire é mais centrado no propósito do jogo, sem distrações, sem minijogos embutidos, ou animais para matar.  E tem algo que surpreende os conhecedores de seus jogos passados: de fato, aqui, existe o mocinho e o vilão, e – pasmem –, o jogador é o mocinho.

Parecia difícil, mas depois da perfeição de gráficos de Red Dead Redemption, os criadores de L.A. Noire conseguiram se superar, e fizeram uma representação excelente da Los Angeles dos anos 40. E justamente por conta desta perfeição,  talvez o jogo acabe por se sair mais chocante que os outros jogos da Rockstar Games. Ainda para aumentar o realismo, os criadores decidiram desviar do processo normal da criação de um jogo (a dublagem, animação e atuação para a captura, todos em etapas distintas), e fizeram tudo em um processo só, que nem em um filme.  Além da tecnologia já usada há algum tempo para jogos e animações para detectar movimentos corporais, foi usada a inovadora técnica chamada MotionScan, que faz o uso de 32 câmeras para capturar os movimentos faciais dos atores em todos os ângulos, tendo como resutado instantâneo modelos completos em 3D, que mais tarde serão aperfeiçoados.

Não entendeu bem? Aqui tem um videozinho de 3 minutos lançado nesse ultimo dia 16, explicando como funciona.

Mais uma vez, a RockStar Games mudará a história dos games.

L.A Noire está programado para sair nos EUA na primavera de 2011. Enquanto nós aguardamos por aqui, aproveite também o trailler do jogo.

 

Para mais screenshots e novidades, acesse o site oficial de L.A. Noire.

Defensores do WikiLeaks

Após a prisão de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, um dos mais polêmicos sites da atualidade responsável por vazar mais de 250.000 arquivos secretos do governo americano,  pessoas (eu, inclusive) têm mostrado apoio ao australiano.

O grupo de hackeres “Operation Payback”, se mostrou no Twitter como responsável por tirar do ar sites como do Mastercard e Visa, empresas que abandonaram o patrocínio ao WikiLeaks após as polêmicas começarem a surgir.

O WikiLeaks ganhou o apoio também do Avaaz, site que faz abaixo-assinados de cunho político e alcança pessoas de todo o globo (foi o site, inclusive, que conseguiu trazer a tona o projeto Ficha Limpa). No e-mail mandado para assinantes, o site afirma que está havendo uma “intimidação massiva contra o WikiLeaks”. O Avaaz afirma ainda que advogados peritos dizem que Assange provavelmente não fez nada de errado, ou não desobedeceu nenhuma lei. “Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe”, afirma o site ciberativista. Também diz que isto é um ataque à livre imprensa e à democracia. A petição contra a retaliação do WikiLeaks, que começou ontem (9) à noite, já tem mais de 130.000 assinaturas.

Por não ter feito nada contra a lei, Julian foi preso pelos motivos diferentes daqueles pelos quais é perseguido.

Perseguição política? Tenho certeza que sim.

Até mesmo o Twitter está sendo acusado de não colocar as hashtags #wikileaks e #cablegate nos Trending Topics. Um blogueiro conhecido como “bubbloy”, postou em seu blog vários cálculos e elaborou o seguinte esquema que mostraria que o Twitter estava censurando as hashtags:

Censura do twitter?

Além disso, o Facebook e o Twitter tiraram do ar as páginas de outro grupo hacker, o “Anonymous”,que também se dizia responsável por tirar do ar os sites daqueles queabandonaram o patrocínio. O perfil do grupo no Twitter tinha mais de 20 mil seguidores, e mais de 10 mil pessoas haviam “curtido” a página no Facebook.

Assine a petição contra a perseguição ao WikiLeaks aqui.

Ó admirável mundo novo, onde habitam semelhantes pessoas!

Aconteceu em outubro desse ano, em Taiwan, uma feira internacional de robótica:

“Cansado de brincar com o cachorro? De saco cheio de limpar a casa? Tem pena dos cavalos puxadores de carroça, ou dos riquixás? Temos a solução!”

Em caso de perigo, chame Deckard.

Em caso de perigo, chame Deckard.

Os robôs da feira são praticamente androides. Tenho certeza que se fossem, não seriam felizes como a Rose, dos Jetsons; seriam mais como o Marvin, o androide paranoico de O Guia do Mochileiro nas Galáxias. Imagina o tanto de lambidas que receberiam e o tanto de vezes que os coitados serviriam de hidrantes para os cachorros? E a dor nas costas, de tanto puxar cargas e turistas acima do peso? E o estresse de limpar a casa o dia todo e todo o dia?

Mas como não são androides, a gente se aproveita mesmo. Afinal de contas, essa é a intenção, né? Livrar de nós, mortais, todo o trabalho sujo. Ah, a comodidade!

Na feira tinham robôs que conversavam, serviam chá e até pegavam jornais. “Estes são para cuidar dos idosos no futuro”, dizem os pesquisadores. Mal posso imaginar quando inventarão robôs para substituir não as enfermeiras, mas sim os idosos. Ou todo mundo.

Just saying….

O show que foi inevitavelmente O show

Decidimos sair de casa às 14:30, os portões abririam às 17h40 e o show começaria às 21h30.

Lá da Pompeia (casa da minha tia) até o Morumbi dá mais ou menos meia hora (sem engarrafamento). Enfim, chegamos lá às 15h.

O lado de fora do estádio já estava lotado! Os meninos sem blusa, as meninas se abanando. O calor tava grande.

No máximo 5 minutos depois de chegarmos no Morumbi, decidi pegar meu celular e ligar para minha amiga. Surpresa: quando seguro a bolsa, noto que ela está um pouco vazia. Haviam furtado minha câmera. Meu primeiro pensamento?

“PUTA MERDA! NÃO VOU PODER TIRAR NENHUMA FOTO!!!!”

Só fui pensar na bronca que eu ia levar, no outro dia. Nada poderia estragar o show da minha vida.

E andamos para o final da fila. Fomos até a esquina, e a fila não acabava. Continuamos até a próxima esquina, e não acabava. Quase uma volta no quarteirão depois, achamos o final da fila! Sol forte danado, calor danado. Os portões abriram lá pras 17h30, e, durante esse tempo de espera na fila, um senhor num bugre vermelho, ficava dando voltas insistentemente no Morumbi, com o som bem alto tocando uma única música, provavelmente dele, o tempo todo:

“No show do Lennon… No show do Lennon… No show do Lennon… Imagine all the people… No show do Lennon…”

Que saco! A música não passava disso. E o cara virou estrela: fotojornalistas vieram tirar fotos dele, assim como algumas pessoas na fila. A única coisa que eu pensava quando ouvia aquela buzinada toda, era: “ai, de novo não…”

Após quase 4 horas na fila, finalmente entramos no Morumbi às 18h e pouco.. A última vez que havia entrado lá foi no show do Roger Waters, em 2007. Mas era tudo completamente diferente. O clima era outro.

E eu só pensando em todas as fotos que poderia estar tirando… Mas é a vida. Eu tava lá.

Quando estávamos lá dentro, um som ficou rolando, em certo momento começo a ouvir “Very Nice Pra Xuxu”, dos Mutantes. Entrei no feeling da música, cantando junto, e pensando que, de fato, tudo aquilo era VERY NICE PRA XUXU!

Mais duas horas e 40 minutos de espera lá dentro (que pareceram ser muito mais longas do que as quatro horas na fila), e as luzes apagaram.

Meu coração palpitou. E o Morumbi, que parecia ter lugar sobrando, em poucos segundos ficou completamente lotado. Não haviam mais espaços na arquibancada, muito menos na pista (onde fiquei).

A banda entrou no palco. Percebi o quanto nós estávamos longe, e, ou o palco era baixo, ou todo mundo era alto, ou eu era baixa, porque eu não conseguia enxergar ninguém sem dar um pulo gigante! Tive que assistir o show todo pelo telão, dando sempre uns eventuais pulos nos intervalos das músicas pra saber se aquilo tudo era verdade.

(Acabei de fazer uma playlist com a setlist do show… ouvindo as músicas agora, lágrimas descem dos meus olhos, assim como lá, ao vivo… meu deus… que show…)

Os fãs brasileiros haviam combinado algumas homenagens ao Paul no show, a primeira delas foi quando o Paul apareceu no palco, e todos cantaram:

“We love you, yeah, yeah, yeah”

Foi lindo. Paul surpreso e encantado, respondeu

“I love you, yeah, yeah, yeah.”

Super fofo ele falando frases em português, como “E aí, galera?”, “Obrigado paulistas, obrigado brasileiros!” etc.

O velho tem um pique danado! Correu pra caramba, pulou e suou. Simpático e engraçado até demais.

Fiz questão de não ler nada sobre o show de POA ou de SP, para não estragar a surpresa, e tive raiva quando soube alguma música do setlist. Então foi praticamente tudo surpresa pra mim. Não vou conseguir lembrar tudo, portanto fica mais fácil colocar a setlist do show aqui, e fazer alguns comentários:

“Venus and Mars” / “Rock Show”

A choradeira começou.

“Jet”

Energia incrível, INCRÍVEL! O show havia começado!!

“All My Loving”

All My Loving… música daquelas bobinhas, mas foi ESSENCIAL nesse show. A energia também espetacular, as lágrimas desceram pelos meus olhos… e elas viriam muito mais vezes ao longo do show. Escutando agora a música, nunca imaginarei que choraria ao som de All My Loving.

Paul sacudiu a cabeça enquanto cantava, como sempre fez. Coisa mais fofa.

“Letting Go”
“Drive My Car”

Beep-beep-beep-beep-fucking-YEAH! Minha adrenalina já tava lá nas alturas.
“Highway”

Aqui o coitado já não agüentava mais de calor, e tirou o blazer azul:

“Too hot!”

E ele tava de suspensório! Owwwwwwwww x)

Alguém atras de mim gritou: “pode tirar tudo!”

Euri.

Deixou o Hoffner de lado, pegou uma guitarra, e começou:
“Let Me Roll It”

Música belíssima… de novo chorei… E todos, junto com Paul, mostravam a palma da mão: “You gave me something, I understand, you gave me loving in the palm of my hand. I can’t tell you how I feel. My heart is like a wheel

Let me roll it…”

E não parei de chorar, até acabar a:
“The Long and Winding Road”

Ele foi para o seu querido pianinho colorido. Não posso falar o quão linda é essa música, e o quanto chorei.
“Nineteen Hundred and Eighty-Five”

Outra música cheia de energia… ninguém ficava parado.
“Let ‘Em In”
“My Love”

My Love teve atenção especial. Em agosto desse ano, no aniversário de 50 anos da minha mãe, meu pai fez uma surpresa para ela. Ele tocando violão, junto com meu tio no baixo e o marido da minha tia no violino, fez uma serenata, e tocou My Love pra minha mãe, que assim como eu, caiu em prantos.

Quando Paul foi começar a música, ele disse, em português mesmo: “Essa música eu escrevi para minha gatinha linda. mas essa noite ela é para todos os namorados!”

Claro, abrecei o meu, e comecei a chorar.

EU SEI, EU CHORO PRA CACETE!
“I’ve Just Seen a Face”
“And I Love Her”

Choreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
“Blackbird”

Logo lembrei de papai, passando semanas aprendendo a tocar perfeitamente Blackbird no violão.
“Here Today”

Mais uma vez em português, disse: “Eu escrevi essa música para meu amigo John”. E Gi chorou.
“Dance Tonight”

A parte mais engraçada do show: o baterista Abe Laboriel Jr dançou pra caramba na música. A-d-o-r-e-i os passinhos de dança!
“Mrs. Vandebilt”

A música acabou, mas o público continuou: “Hô, ê hô!”
“Eleanor Rigby”

Eleanor Rigby…música fantástica, e todos cantando com o maior fervor: “Ah, look at all the lonely people, where do they all come from? Ah, look at all the lonely people, where do they all belong?”

“Something”

Não consigo falar qual Beatle é meu preferido, mas tenho um carinho especial por George Harrison. Paul disse: “Esta próxima música é para meu amigo George”.

Com o ukelelê na mão, começou a tocar e cantar, primeiro só ele, e depois toda a banda. Enquanto isso fotos de George Harrison passavam no telão atrás da banda. Muito emocionante. Adivinha? Chorei.

“Sing the Changes”
“Band on the Run”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”

Pulos, pulos e mais pulo. Lala, how the life goes on.

“Back in the USSR”

Fan-tás-ti-ca.
“I’ve Got a Feeling”

Acho que a partir daqui, eu e todo mundo foi ficando sem voz: YEAHHHHHHHHHHHHHHHH, I’VE GOT A FEELINGGGGGGGGGGG!
Paperback Writer

Sempre lembro da minha futura profissão…

“A Day in the Life” / “Give Peace a Chance”
Atenção especial pra essa parte:

Quando começou a Day in a Life, meu coração veio parar na garganta. Ela fazia parte da homenagem a Lennon.

Aqui aconteceu a segunda surpresa do público para Paul: Algumas pessoas levaram, outras distribuíram balões brancos, que deveriam ser soltos quando Paul começasse a cantar Give Peace a Chance:

O público supreendeu Paul com a homenagem a Lennon

O público supreendeu Paul com a homenagem a Lennon

“Let It Be”

Na hora de Let It Be, todos os celulares, isqueiros e pisca-piscas acesos. Belíssimo. Lágrimas.
“Live and Let Die”

Talvez a parte mais fantástica do show! A música em si, eu rezava para que ele tocasse, e ele tocou. Logo quando ele canta “…so live and let die” a parte “paulera” da música começa, e inesperadamente (para mim, pelo menos), um show pirotécnico MARAVILHOSO começou, e o som dos fogos estourando, pareciam fazer parte da música. Enlouqueci, quase morri.


“Hey Jude”

Paul, no seu pianinho, fez muita gente chorar (tipo eu).

Aí ele saiu do palco. Claro que ele voltaria.

E voltou, com uma bandeira do Brasil. Correu de canto a canto do palco.

E deu-se início ao primeiro bis:

“Day tripper”

“Lady Madonna”

Música meio lado B do Beatles, que eu amo. Nunca imaginaria Lady Madonna no show dele!
“Get Back”

Depois dessa música, ele sai do palco de novo!

Get back, Paul Paul!

E ele voltou para o segundo bis:

“Yesterday”

Choro.
“Helter Skelter”

Pulos, muito pulos! Eu já estava SUPER cansada, com as mãos no joelho, de tanto pular e gritar. Mas com Helter Skelter, continuei, esbaforida, gritando e cantando e pulando. Simplesmente foda.
“Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band” / “The End”

E foi assim que acabou o show que eu esperava que não acabasse nunca. Enquanto tocava The End, no telão atrás da banda passava a animação feita para o Beatles Rock Band. Foda!

Ele então fala:

“Tchau, até a próxima!”

Prometeu, hein, Macca?

Começa então uma chuva de papeis verdes e amarelos. Paul, correndo com a bandeira do Brasil, a poucos metros do fim do palco, tropeça e cai feio.

Nesse instante, todo mundo pára.

TENSO.

Mas Paul levanta, da um sorriso, um tchau, e vai embora.

VOLTA PAULLLLLLLLLL! VOLTA SEMPREEEEEEEEEEEEEEEE!

Apesar de ter como resultados do show uma câmera perdida, garganta ruim e perna doendo, que tudo mais vá pro inferno!


EU FUI PRA UM SHOW DO PAUL MCCARTNEY, PORRA!


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Dois anos depois do show, venho aqui deixar o registro dessas lembranças que carregarei para sempre:

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“Venha a MIM o Vosso reino…”

Era um dia como outro qualquer, de um mês qualquer, em uma semana tumultuada de eleição; tempo de usar todas as cartas das mangas – ou tudo, ou nada!

Naldinho, agora conhecido como Arnaldo Nóbrega – pois é nome composto que transparece credibilidade e seriedade – estava se candidatando pela segunda vez ao cargo de Deputado Federal e, com o apoio de muitos amigos, suas chances de perder eram quase nulas. Logo cedo, ao acordar, pôs em suas oraçãoes todo o seu dia e, como numa lista mental, riscou seus pedidos um-a-um: “Que a boca de urna de Cruz de Santana esteja protegida de todo o mal…“, “Tornai, Senhor, fraca a lembrança do povo para com minhas promessas…“, “Livrai de todo o mal os meus cabos eleitorais, que trabalham fielmente por essa causa tão justa, AMÉM!“. A lista era tamanha que ao chegar ao fim, nem ele lembrava mais o que tinha pedido. Seua cabeça estava CHEIA! Como iria cumprir o prometido? E a sua dignidade? “Dignidade?! Mas pra me candidatar eu preciso disso?“. Tomou banho, pôs a camisa azul – cor que ele não aguentava mais usar – e partiu pra luta.

Já estava na hora de cumprir sua agenda eleitoral: era o dia do COMÍCIO. Logo quando subiu no palanque, a sua vontade era de estar numa bolha, ou em qualquer lugar, menos ali! A multidão azul não parava de gritar seu nome e berravam desafinados, arranhando cada uma de suas cordas vocais, o jingle já insuportável de sua camapanha: “Eu vou de Arnaldo, nele eu posso confiar! É 20-888, é 20-888, é 20-888, é 20-888, é 20-888, é 20-888…“. Ele não parava de sorrir e acenar, fazendo com as mãos o “V” da vitória. Achando tudo isso ridículo, chegou a se comparar, por alguns segundo, com uma Miss. “Besteira – pensou ele – o importante é o resultado!”. Arnaldo pegou o microfone e falou confiante suas palavras: “Força! Vitória!“. Todos gritaram e com um sorriso amarelado, ele posou para os flashes que o encandeavam. Horas depois, o seu maior desejo era tomar um banho para “tirar o grude de toda aquela gente pobre” que o abraçava como amigos de longas datas. Ainda sentia o gosto saldado do suor daquela senhora, a qual fora obrigado a beijar para o seu programa eleitoral.

Chegando em casa, ele falou a frase mais longa do dia: “Mulher, liga a hidromassagem que hoje o dia foi pesado!“, e em oração clamou novamente a Deus: “Senhor, que o sacrifício que eu tenho feito seja recompensado em dobro… Ou em triplo! Fique à vontade, AMÉM!“.

 

O caderno.

Prefiro essa sensação. O espiral de ferro marcando o espaço entre meu polegar e o resto dos dedos. Sentir com o dedo indicador as pequenas marquinhas do que fora antes escrito nas outras páginas. Olhar para o papel e saber que ali posso preencher os espaços com o que der na telha. Desenhar formas cursivas, abstratas, olhos, asteriscos, cubos, pessoas. O cheiro… Ah, o cheiro de papel, de plástico… O som do atrito tanto do grafite com o papel, quanto da minha mão ao passar a página.

Quis levar as coisas mais a sério. Não queria deixar um sentido se quer de fora para descrevê-lo.

Acabo de comer um pedaço de papel.

E não é e tem gosto de infância?

Qual graça o computador tem? Apertar pequenos botõezinhos e escutar o barulho das teclas eu adoro, confesso. Mas que cheiro tem? De infância não é! De queimado? E os olhos, que logo ficam cansados? Quanto ao gosto, desculpa, mas não me atrevo.

 

 

 

Originalmente escrito em um caderno!